USB é tudo igual? Conheça todos os tipos, do 1.0 ao 3.1

USB 1.0, 2.0, 3.0, tipo A, tipo C, que usa o mesmo conector do Thunderbolt… Isso tudo é uma verdadeira sopa de letrinhas e números, não é? Hoje vamos explorar o significado de cada um desses padrões, desde o USB 1.0, que foi uma verdadeira revolução na informática, até os mais atuais.

Ao mesmo tempo em que muita coisa mudou, diversos detalhes continuam os mesmos. Esse é o principal sucesso do USB, que se modernizou com o tempo sem deixar de lado a compatibilidade com equipamentos mais antigos, sempre que possível.

Do USB 1.0 ao USB 3.1

O padrão USB começou a ser desenvolvido por um grupo de sete empresas (Compaq, DEC, IBM, Intel, Microsoft, NEC e Nortel), em 1994. Como a própria sigla mostra (Universal Serial Bus), o USB tem o objetivo de simplificar diversas interfaces em um único padrão, substituindo as portas paralelas, as seriais, entre diversas outras.

A versão 1.0, em 1996, trazia velocidades que, hoje, seriam impraticáveis: 1,5 Mb/s (Low Speed) e até 12 Mb/s (Full Speed). Era um padrão finalizado, mas o primeiro a ser largamente utilizado foi o 1.1, de 1998. Em grande parte devido à empresa Apple, que abandonou todos os seus padrões anteriores em favor do USB, no caso do iMac. A versão 2.0 apareceu no segundo trimestre de 2000, fazendo o USB ainda mais onipresente. Além de usar o mesmo conector, trazia velocidades até 40 vezes maiores, chegando a 480 Mb/s, mais que o suficiente para a maioria dos periféricos da época.

Em 2008, o 3.0 introduziu o conceito de “gigabit”, oferecendo velocidades de transferência de até 5 Gb/s, mas chegando ao mercado somente em 2010. O conector era diferente, com 9 pinos, mas não quebrada a compatibilidade com as versões anteriores. Se um dispositivo 3.0 for usado em uma porta 2.0, funcionará normalmente, mas trabalhará com 480 Mb/s. Neste caso, os 5 pinos do 3.0 não são utilizados, e o mesmo vale para o cenário oposto, com um dispositivo 2.0 conectado em uma porta 3.0.

usb tipos

Saltos de velocidade do padrão USB, com a adição de 5 conectores no SuperSpeed (USB 3.0).

Por padrão, entradas USB 3.0 são identificadas com a cor azul, mas diversos fabricantes adotam cores diferentes por uma questão de identidade visual. A forma mais fácil de identificar uma porta 3.0 é observar o “SS”, ou “SuperSpeed”, que não indica apenas uma velocidade maior. Além de consumir menos energia, é capaz de fornecer quantidades maiores dela. Em muitos casos, chegam transferir até 10 watts de potência, contra 5 watts “padrão” do 2.0 (1A, 5V).

E ainda não acabou: temos o 3.1, de 2013. Basicamente, usa o mesmo padrão do 3.0, mas com velocidades ainda maiores (SuperSpeed+). Consegue alcançar até 10 Gb/s, mirando no padrão Thunderbolt da Intel de primeira geração. Vale destacar, porém, que o Thunderbolt usa canais independentes de envio e recebimento de dados. Ou seja, pode enviar e receber dados a 10 Gb/s em canais separados, enquanto o USB pode enviar ou receber dados nessa velocidade.

Agora que entendemos o que acada versão do USB significa, podemos partir para o significado das letras.

Tipos de conectores do USB

Como dissemos no item anterior, o USB evoluiu focando em compatibilidade. Com quase duas décadas de desenvolvimento, ainda é teoricamente possível usar um pendrive USB 3.1 em uma porta USB 1.1. Dizemos “teoricamente”, pois a porta USB 1.1 pode não oferecer energia o suficiente para um dispositivo 3.1, mas não há problemas de incompatibilidade, por assim dizer. O que acontece é que a velocidade de transferência fica limitada à menor versão (no caso, da porta USB 1.1).

usb

O USB tipo A é o mais comum em PCs e notebooks. Acima, um cabo USB 2.0 à esquerda e outro USB 3.0 à direita.

Isso não quer dizer que todos os conectores USB são compatíveis entre si. E é aqui que entram as letras. A tipo “A” é a mais comum, indicando as entradas em PCs e notebooks que estamos tão acostumados. Por muito tempo coexistiu com o USB tipo “B”, ainda bastante comum em impressoras e outros aparelhos, mas cada vez mais em desuso. Suas versões reduzidas são bastante comuns ainda hoje. É o caso, por exemplo, dos conectores Mini B e Micro B, popularmente conhecidos como mini USB e micro USB.

PCs e notebooks usam o USB 2.0 e o 3.0, tipo A

Grande parte dos PCs e notebooks usa tanto o USB 2.0 quanto o 3.0, tipo A.

As “versões mini” compartilham as mesmas características dos conectores maiores, mas são voltadas para dispositivos menores. É o caso de smartphones, com uma quase completa dominância do micro USB (ou Micro B) nos aparelhos Android. Lentamente, porém, ele está sendo substituído pelo USB tipo C, ainda que seja algo concentrado no segmento top de linha.

usb

O tipo B está desaparecendo nos PCs, mas é quase onipresente em smartphones e tablets. Da esquerda para a direita: mini B (mini USB), micro B 2.0 (micro USB) e micro B 3.0 (micro USB 3.0).

Curiosamente, o USB tipo C foi desenvolvido quase simultaneamente ao padrão USB 3.1, em 2014, sem ser compatível com nenhum dos conectores anteriores. Apesar de pequeno, não é uma versão micro, ou mini. Essa quebra de compatibilidade aconteceu pelos benefícios inerentes desse novo padrão. Em primeiro lugar, é reversível, assim como o Lightning utilizado em iPhones e iPads. Em segundo, é mais versátil.

micro USB reversível.

No meio do caminho, alguns tipos acabaram desaparecendo, como o micro B (micro USB) reversível.

Como dissemos, o USB 2.0 utiliza 4 pinos, enquanto o 3.0 usa 9. No tipo C, são nada menos do que 24 pinos: 4 pares de aterramento, dois pares para USB 2.0, 4 partes SuperSpeed (2 USB 3.0 e outros 2 USB 3.1) e outros dois pares para energia e configuração. Da mesma forma que o conector Thunderbolt de primeira e segunda geração era compartilhado com o DisplayPort, o ThunderBolt 3 e o tipo C compartilham a mesma entrada.

Conclusão

As letras e números podem parecer confusas à primeira vista. Estamos falando de mais de duas décadas de evolução, e a própria compatibilidade fez com que diversas gerações e conectores coexistissem, o que causa a impressão de termos mais opções do que parece. Atualmente é bastante comum termos notebooks e desktops com portas USB 2.0 e USB 3.0. O mesmo vale para smartphones, com o micro USB ainda sendo o dominante, o micro USB 3.0 (formalmente micro-B SuperSpeed) presente em pouquíssimos aparelhos (como o Galaxy S5) e o USB tipo C se tornando cada vez mais comum.

usb tipo c

O tipo C está se tornando cada vez mais comum, compartilhando a mesma entrada do Thunderbolt 3.

No fim das contas, a numeração indica a versão, com velocidades específicas, capacidades energéticas específicas e quantidade de pinos. Já a letra indica o tipo de conector. Considerando a reversibilidade do conector tipo C, além da sua versatilidade, como usar a mesma entrada do Thunderbolt 3, ainda teremos uns bons anos pela frente com ele. De qualquer forma, ainda levará um tempo até que o tipo A, independentemente da geração, seja completamente abandonado.

Fonte: Ars Technica, USB Lyzer

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