Processadores Intel: Entenda as gerações, letras e números

A Intel segmenta seus produtos de duas formas. De um lado, temos as a divisão em famílias, como Celeron, Pentium e Core i5. De outro, temos os códigos, uma combinação de letras e números que diz muito sobre o que esperar de seus processadores. São classificações complementares, trabalhando juntas para posicionar um modelo de forma precisa, e vamos destrinchar o significado dos códigos dos processadores Intel nas próximas linhas.

O básico: números dos processadores Intel

Do Core M ao Core i7, a numeração dos modelos dos processadores pode ser desconstruída da seguinte forma:

  • 2ª geração: Sandy Bridge (32 nanômetros);
  • 3ª geração: Ivy Bridge (22 nanômetros);
  • 4ª geração: Haswell (22 nanômetros);
  • 5ª geração: Broadwell (14 nanômetros);
  • 6ª geração: Skylake (14 nanômetros);

Pois bem, as gerações representam o “tick tack” da Intel. Os números pares indicam uma diminuição da litografia (e novos gráficos), enquanto o ímpares mostram uma mudança na arquitetura. Após o Skylake, a Intel estendeu o tick tack, trabalhando com uma terceira etapa: otimização. Ou seja, a geração Kaby Lake, a sétima, continuará com 14 nanômetros, sendo uma otimização do Skylake.

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O primeiro número indica a geração, enquanto os outros indicam o SKU (Stock Keeping Unit – Unidade de Manutenção de Estoque, em português). No caso do Core M, por algum motivo, a letra que o categoriza é inserida entre a geração e o SKU, enquanto ele é posicionado ao final no Core i3/i5/i7. Isso, provavelmente, por contar com um número pequeno de modelos, se comparado aos outros.

Dentro de uma mesma família, números maiores de SKU indicam uma maior potência. Por exemplo: um Core i7-6920HQ é mais rápido do que um Core i7-6700HQ, mesmo que ambos tragam as mesmas letras. Isso é alcançado tanto por tecnologias internas diferenciadas quanto pelo clock maior e mais cache. É necessário, porém, comparar modelos dentro de uma mesma plataforma: um processador de desktop com outro de desktop e um modelo de notebook contra outro modelo de notebook.

Processadores de desktop e de notebooks podem até trazer numerações similares (como o Core i7-6700K e o Core i7-6700HQ, respectivamente), mas são processos de fabricação diferentes. Essencialmente, o que varia é a TDP, já que desktops são capazes de refrigerar modelos mais potentes, e exatamente por isso usam letras diferentes, apesar da numeração ser a mesma. Então, vamos às letras.

Do Y ao X nos processadores Intel

A escolha das letras varia conforme a geração dos processadores. Não vamos mentir: a classificação da Intel é, por vezes, confusa. Em muitos casos, a diferença entre elas é um detalhe bem atomizado.

Por exemplo: os modelos com “U” no final são voltados para ultrafinos, trazendo uma TDP extremamente baixa. Esse “U” é uma simplificação de ULV (Ultra Low Voltage – Voltagem Extremamente Baixa, em português). Até o momento, a Intel não lançou um modelo da baixa voltagem com mais de dois núcleos, e todos eles contam com clocks mais baixos do que suas versões comuns de notebooks (com sufixo “M” em alguns modelos).processadores Intel

Mas há uma família ainda “mais ULV do que a própria família ULV”: as que usam o sufixo “Y”. Esses modelos trazem uma TDP e voltagens ainda mais baixas: caem de aproximadamente 15 watts para 4-5 watts. Trata-se do Core M, que não necessita de um sistema de refrigeração ativo, com cooler. A Intel conseguiu esse feito usando clocks extremamente baixos (na faixa dos 1 GHz), e um Turbo Boost extremamente agressivo, ultrapassando os 2,0 GHz com facilidade.

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O Core M e modelos ULV, com o sufixo “U”, são voltados para máquinas menores, mais econômicas. São projetados para economizar bateria e não esquentar muito, e não em desempenho.

Subindo um pouco a TDP, temos os modelos “T”. Eles não são tão econômicos quanto os ULV, mas foram projetados para trabalhar em seus estágios mais baixos de tensão. Ou seja, trazem um nível de performance maior, mas não consomem tanta energia quanto os modelos “M”. Já os modelos “S” são bastante similares aos “T”, mas são projetados para manter clocks maiores, ainda que o clock máximo seja similar.

Subindo o clock, temos os modelos quad-core, que trazem o sufixo “Q”. Como explicamos em nosso artigo anterior, somente o Core i5 e o Core i7 trazem quatro núcleos, ainda que o Core i5 quad-core não traga Hyperthreading. O modelos quad-core, no caso dos modelos para notebooks, geralmente trazem o junto o sufixo “H”, que significa gráficos de alto desempenho. Nada tem a ver com a GPU dedicada, e sim com os gráficos integrados da Intel.

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Modelos “K” e “X” focam nos overclockers, pessoas que querem aumentar as frequências de fábrica para extrair mais desempenho das CPUs.

Entrando no segmento de alto desempenho para desktops, temos as letras “K” e “X”. Os modelos que trazem “K” (unlocked) ao final são desbloqueados. É possível ajustar a frequência de operação máxima para extrair ainda mais desempenho. Isso acontece por meio de ajustes de tensão, do clock base e seu multiplicador. Conforme o clock aumenta, é necessário recorrer a soluções mais modernas de refrigeração, já que o processador passa a trabalhar mais quente.

Assim como o sufixo “K”, o “X” também é destravado. Só que se trata de um tipo especial de processador, conhecido como Extreme Edition da Intel. Basicamente, ele é o melhor processador da empresa para o consumidor, mirando nos entusiastas. São produtos no refinamento do processo de fabricação da geração anterior. E, mesmo assim, são os processadores mais rápidos do mercado.

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Modelos Extreme focam em entusiastas, os que quebram recordes de overclock.

O Broadwell-E, por exemplo, pertence à quinta geração, e não à sexta. É o caso do Core i7-6950X, um monstro com 10 núcleos de processamento (e 10 threads, já que conta com Hyperthreading) para o consumidor que espera o melhor, seja em jogos ou em aplicações profissionais. Modelos da série Extreme não contam com gráficos integrados, reservando todos os seus transistores para melhorar a eficiência de cada um dos núcleos. E, por serem os modelos mais sofisticados da Intel, suportam overclocks maiores.

Para fechar, vale dizer que não é porque uma letra está ausente em um modelo que ele não vem com determinada característica. Por exemplo: o “K” ao final do Core i7-6700K indica que ele é debloqueado. E também trata-se de um modelo quad-core e gráficos integrados de alto desempenho, ainda que nem o “Q” ou o “H” estejam no final. É nesse ponto que a numeração e as letras começam a ficar confusas. Ainda assim, olhar o SKU, a geração e a letra diz muito sobre o que esperar de um certo modelo.

Fonte: Intel ARK