Avell responde: usar o notebook na tomada vicia a bateria?

Como preservar a autonomia de bateria de um dispositivo? Será que usar um aparelho conectado à tomada danifica a bateria? Estas dúvidas são, certamente, umas das mais recorrentes. Não sem motivo, já que há muita desinformação compartilhada na internet sobre esse assunto. Mas, por quê? Muitos baseiam suas informações em tecnologias já antigas, pouco utilizadas em notebooks atualmente. Não somente em notebooks, vale dizer, mas em grande parte dos produtos que funcionam com bateria. Vamos começar com um dos questionamentos mais comuns: usar o notebook na tomada prejudica a bateria?

O “efeito memória” na bateria

O que é o efeito memória? Um dano químico interno da bateria que faz com que ela não utilize toda a sua capacidade. Um “vício”, comumente percebido quando a autonomia de um aparelho fica perceptivelmente menor. De fato, esse problema existe, mas com um detalhe: não acontece com baterias de íons de lítio, mas sim com tecnologias mais antigas, como as de níquel-cádmio (NiCd).

notebook na tomada

Atualmente é praticamente impossível encontrar um notebook ou smartphone com baterias de NiCd

As baterias de níquel-cádmio (NiCd) praticamente inexistem em notebooks e smartphones atualmente, pois exigem um longo ciclo de carga inicial para evitar o efeito memória. Uma luminária de emergência, por exemplo, costuma recomendar um carregamento inicial com o mínimo de 9 horas e o máximo de 18 horas exatamente por isso. Não é o caso com as baterias de lítio, presentes em praticamente todos os modelos hoje em dia.

Mas por que baterias de NiCd ainda são utilizadas em alguns produtos? Em especial por sua longevidade, aguentando mais de 10 anos sem grandes problemas. Em produtos específicos, como luminárias de emergências, essa é uma excelente vantagem, ainda que não seja uma tecnologia recomendada para notebooks e smartphones atuais. O motivo?

Ciclos e mais ciclos

Um dos grandes diferenciais das baterias de lítio é a sua robustez. Ela foi projetada para aguentar qualquer ciclo de carga ou requisição energética, equipando desde smartphones de baixo desempenho até veículos elétricos, como os carros da Tesla. Atualmente, modelos projetados para aguentar pelo menos 1.000 ciclos de carga são bastante comuns, o que muitas vezes significa que um produto acabará sendo trocado não por um problema de bateria, mas sim por já não atender as exigências do usuário.

Bateria de lítio

Bateria de lítio suportam mais ciclos de carregamento e descarregamento.

Como “prolongar” a vida útil de uma bateria? Basicamente evitando o superaquecimento, o verdadeiro inimigo das baterias de lítio. Por isso é importante manter um notebook sempre bem refrigerado, sem obstruir as saídas de ar, evitar o acúmulo de poeira e assim por diante. Naturalmente, é importante manter o notebook como um todo bem refrigerado, mas a bateria é o componente que mais sofrerá com o aquecimento excessivo. Então, será que deixar ligado o notebook na tomada faz mal?

Notebook na tomada: proteção ativa

Respondendo de uma forma bastante resumida: deixar ligado o notebook na tomada não prejudica a autonomia de bateria. Esse mito é tão comum quanto o “efeito memória” em baterias de lítio, e não por poucos motivos. A verdade é que o sistema de energia de um notebook ou smartphone é muito mais sofisticado do que parece. Em especial pelas proteções envolvidas, já que o próprio notebook “corta” o carregamento quando a carga chega a 100%, sendo alimentado diretamente pela corrente elétrica.

Ou seja, as baterias não são “sobrecarregadas”, continuando a receber energia quando estão cheias e ainda alimentando os outros componentes. O perigo está em outro lugar. Como dissemos, o principal inimigo da bateria é o calor excessivo, de forma que o uso intenso da máquina pode gerar calor o suficiente para danificar a bateria aos poucos, em certos modelos.

bateria no Avell Titanium G1513 IRON v4

Notem que a bateria fica isolada dos componentes “quentes”, como CPU e GPU, no Avell Titanium G1513 IRON v4

Atualmente é difícil encontrar um notebook que não isole a bateria dos componentes que geram calor (CPU, GPU), exatamente para protegê-la. Mas isso ainda acontece em outros modelos, sendo interessante remover a bateria (se possível) durante o uso intenso (jogos, edição de vídeos, programas CAD e assim por diante).

Fazendo um paralelo com smartphones, a principal recomendação é não usar um aparelho quando este está carregando. Em especial os modelos que adotam alguma solução de “carregamento rápido”, gerando grandes quantidades de calor para carregar a bateria mais rapidamente. Esse calor, isoladamente, não faz mal (afinal, a bateria foi projetada para isso). Mas, combinado com a tela ligada e algum game mais exigente, pode resultar em um nível de calor muito maior. Em especial quando lembramos que smartphones não usam soluções ativas de refrigeração.

baterias nos smartphones e notebooks

Há uma boa quantidade de camadas de proteção nos smartphones e notebooks mais atuais, garantindo a proteção da bateria.

De qualquer forma, como dissemos, o processo de carregamento de um aparelho é muito mais inteligente do que parece. O próprio carregador mede o nível de temperatura da bateria e ajusta a quantidade de energia para evitar superaquecimentos. O mesmo ocorre em notebooks, garantindo que a bateria não seja danificada com o uso diário ligado na tomada.

Isso não quer dizer, porém, que a bateria não vá perdendo carga com o passar do tempo. Ainda que as baterias sejam bastante resistentes e possuam diversas camadas de proteção, o uso delas irá degradá-las naturalmente. Porém, esse é um processo que ocorre de forma lenta, e não é intensificado com o uso conectado à tomada.

Fontes: Battery University, Digital Trends, Tecnologia do Globo, FOSS Bytes, Unitron

(Este conteúdo foi visitado 10.283 vez(es) | 6 visita(s) hoje)