Notebook comum e notebook gamer. Qual a diferença?

Vamos lá: seu notebook tem uma configuração até bacana, mas não é um modelo de notebook gamer. Será que faz mal rodar jogos nele? Se sim, por quê? Existem diferenças tão marcantes assim entre um modelo “normal” e outro gamer? É isso que vamos explorar nesse artigo.

Os notebooks comuns

Notebooks “comuns” são projetados para tarefas cotidianas, seja qual for a configuração do modelo. Independentemente do processador – um Celeron ou um Core i7, por exemplo -, ou da quantidade de memória RAM e placa de vídeo (se contar com uma), a grande maioria dos modelos foi projetada para tarefas normais do dia a dia. Em outras palavras, não foram projetados para funcionar no máximo durante muito tempo.

Isso acontece pela própria forma como os componentes trabalham. Quando fabricantes projetam suas máquinas, consideram exatamente o uso comum. Ou seja, levam em conta uma forma de usar a máquina na qual os programas utilizados raramente necessitam de um alto poder de processamento. Em diversas situações, a máquina pode até chegar a 100%, mas rapidamente volta aos estágios mais básicos de consumo, o que permite que o sistema de refrigeração dê conta de manter a máquina em temperaturas razoáveis.

notebook gamer

Thermal throttling em ação, derrubando a frequência para não danificar os componentes.

Não é o caso, por exemplo, de rodar um jogo mais pesado, que exige o máximo da máquina por períodos maiores. Como esses notebooks foram projetados para resfriar somente picos de processamento, não são capazes de lidar com situações mais, digamos, intensas. Em um primeiro momento, quando não há a possibilidade de resfriar apropriadamente uma máquina, os componentes entram em um processo de thermal throttling. Ou seja, derrubam a frequência do processador e da placa de vídeo até que a máquina esfrie.

notebook gamer

Um típico notebook comum. Apenas um heatpipe ligado a um pequeno cooler, setup suficiente para suportar a maioria das situações. Aplicações mais pesadas, não.

Entendam: o thermal throttling é a última camada de segurança. Se ele acontece, ainda mais com frequência, o efeito não é somente uma queda no desempenho da máquina. Isso quer dizer que a máquina inteira está “pedindo socorro”, havendo um risco real de danificar o notebook com o passar do tempo.

Aliás, não somente os componentes responsáveis pelo desempenho. Capacitores, controladores de tensão, resistores e diversos outros componentes são obrigados a trabalhar em uma temperatura maior do que foram projetados. Em outras palavras, reduz a vida útil do notebook. Mas com os modelos de notebook gamer são diferentes?

O notebook gamer

Modelos projetados para jogos costumam ser mais pesados e maiores, e isso não é à toa. A grande “sacada” do notebook gamer é exatamente o sistema de refrigeração mais sofisticado. Um conjunto mais avançado de dissipadores, coolers e até mesmo uma organização interna dos componentes, isolando os que mais geram calor do resto da placa-mãe. Isso exige espaço, e naturalmente contribui para o peso maior desses modelos.

Naturalmente, modelos voltados para jogos trazem configurações bem mais parrudas. Muitos associam esses modelos única e exclusivamente à sua configuração (que raramente decepciona), mas a capacidade de manter esses componentes bem refrigerados é tão importante quanto a própria configuração. De nada adianta ter uma excelente configuração se você não pode aproveitá-la ao máximo, e esse é o grande diferencial dos notebooks gamer para os modelos “normais”.

notebook gamer titanium avell

Já um notebook gamer de qualidade isola o calor gerado da CPU e da GPU, ambos ligados a poderosos coolers para manter a máquina em sua temperatura ótima de trabalho.

Vamos pensar em um exemplo. Imagine um carro popular, onde o proprietário trocou o motor de fábrica por outro 2.0. Todo o resto continua o mesmo, do radiador aos amortecedores: somente o motor é diferente. Você pega o carro, vai ao supermercado, em seguida busca os filhos na escola e depois volta para casa. Três trajetos curtos, onde essa mudança não apresentou nenhum problema, mesmo que o carro não tenha sido projetado para um motor mais potente.

Pois bem, você pega confiança e vai para a estrada para aproveitar toda a potência extra do motor 2.0. Como o resto do carro continua o mesmo, o motor esquentará, os pneus sofrerão com a velocidade acima da projetada e todo o carro tremerá. Porém, o mesmo motor 2.0 em um carro esportivo não apresenta um problema sequer. Por quê? Porque todo o carro foi pensando, desde o começo, para acomodar um motor 2.0 em qualquer situação, seja indo para o supermercado, seja acelerando ao máximo na estrada.

notebook gamer fullrange

Modelos gamer maiores contam com até três coolers, dois deles dedicados a manter a GPU ainda mais bem refrigerada. No modelo FullRange G1745 IRON, por exemplo, temos 3 heatpipes somente para a GPU, estes ligados a dois coolers, enquanto a CPU tem dois heatpipes ligados à um cooler dedicado.

Voltando aos notebooks, os modelos gamer equivalem ao carro projetado para um motor 2.0. Ele não considera apenas trajetos pequenos, onde não é exigida a potência total de forma contínua no motor. Como contam com coolers e dissipadores mais avançados e eficientes, eles podem lidar perfeitamente com um Core i7 de última geração e uma GPU NVIDIA série 10 funcionando a 100%. Além de não limitar a performance, eles garantem que a máquina, como um todo, não será prejudicada.

E por que existe essa diferença entre notebook comum e notebook gamer?

Olhando o exemplo dos carros acima, parece que os notebooks comuns são projetados de forma errada, não é mesmo? Não é o caso. Rodar jogos é uma situação particular, enquanto o uso comum não exige uma refrigeração superior (equivalente ao trajeto curto). A grande maioria dos usuários não coloca a sua máquina para trabalhar a 100% de forma contínua, de forma que usar um sistema de refrigeração mais avançado apenas encareceria a máquina sem trazer benefícios perceptíveis para o usuário.

É um caso diferente dos notebooks gamer. Quem busca um modelo gamer já tem em mente um uso mais exigente, não apenas o comum. Do lado dos fabricantes, na hora de projetar um modelo, ele sabe que o usuário usará cada GHz e GB disponível, e tem a responsabilidade de oferecer segurança e eficiência para refrigerar os componentes. E isso exige um sistema de refrigeração que seja capaz de trabalhar no extremo.

Nesse sentido, essa refrigeração extra chega a ser quase um bônus. Ao optar por determinadas especificações, a segurança de usá-las sem risco de danificar a máquina são garantidas nos modelos gamer, além de aproveitar o máximo de poder de fogo disponível. Sem thermal throttling nem nada.

Ou seja, optar por um notebook gamer vai além de configurações poderosas e um design diferenciado. Traz a certeza de que a máquina oferecerá o máximo para o usuário em relação ao bom funcionamento dos componentes. Seja em situações cotidianas, seja em horas de jogo de última geração.

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