Mitos e fatos sobre a pasta térmica do notebook – parte 2

Vimos alguns questionamentos gerais na primeira parte deste artigo. Em especial, abordamos a questão da qualidade da pasta térmica e o período de troca. Isso sem deixar de lado, claro, que essas recomendações variam dependendo do uso, considerando que o desgaste varia entre o usuário que usa a máquina para escrever textos e para outro que a usa primariamente para jogos ou renderizar vídeos mais pesados.

Focamos, porém, em desktops, que usam componentes maiores e são mais fáceis de realizar manutenção. Será que é tão simples (ou mesmo necessário) em notebooks? E placas de vídeo necessitam de uma troca regular de pasta térmica? Vamos dedicar essa segunda parte a ambos.

O que muda na pasta térmica para notebook

O processo de troca da pasta térmica de notebooks e placas de vídeo é virtualmente idêntico ao de desktops. Em essência, trata-se de um dissipador conectado ao chip (caso da GPU) ou aos chips (em notebooks) com uma camada de pasta térmica. Em desktops a placa de vídeo pode ter ou não um cooler (em especial modelos mais básicos), mas o princípio é exatamente o mesmo.

notebook aberto troca de pasta térmica

Abrir um notebook é bem mais trabalhoso (e perigoso) do que um desktop.

Então, o que é diferente? A complexidade. Abrir uma placa de vídeo é um processo que exige muito mais cuidado do que retirar o cooler de um processador. E, mais do que isso, pode ser perigoso, com maior risco de danificar algum componente interno. Em alguns casos pode exigir ferramentas mais especializadas.

O mesmo vale para os notebooks. Dependendo do modelo, estamos falando de um grande trabalho para podermos enxergar até mesmo a placa-mãe. Alguns modelos isolam a área de pente de memória e armazenamento (caso dos modelos da Avell). Outros não facilitam nem mesmo a troca desses dois componentes, que dirá trocar a pasta térmica.

dissipador e o cooler na troca da pasta térmica

O dissipador e o cooler geralmente estão separados dentro do laptop, graças às dimensões.

Considerando o trabalho, será que devemos fazer a troca com a mesma frequência?

Manutenção e garantia

Em primeiro lugar devemos ter em mente que notebooks e placas de vídeo trazem uma construção mais robusta, não exigindo uma manutenção tão imediata. Isso é ainda mais válido para placas de vídeo, já que os fabricantes fazem questão de propagandear a durabilidade desses produtos. Isso em marcas mais famosas, o que explica a grande diferença de preço para um mesmo modelo (uma GTX 1070, por exemplo).

Como os fabricantes de notebooks sabem que a grande maioria do público não fará a manutenção periódica acabam caprichando na proteção dos componentes. O que é ainda mais válido para modelos gamers e profissionais. Isso não significa que não temos que fazer manutenção, em especial depois de vários anos de uso pesado. Como dissemos no início, jogos pesados e programas de criação multimídia entram nessa categoria.

notebook de alto desempenho avell G1570 Fox

O Avell G1570 Fox, com Max-Q Design, exige um cuidado imenso para abrí-lo, já que ele é mais fino do que a média.

Outro ponto importante de salientar é que certas manutenções ajudam mais do que propriamente trocar a pasta térmica. É o caso de retirar o excesso de poeira e outras partículas da saída de ar, por exemplo, que permite que os componentes “respirem” melhor. Outro caso é regular melhor a velocidade do cooler, ajustando-o de acordo com o tipo de uso.

Por fim, não podemos deixar de mencionar que não se deve fazer manutenção enquanto a garantia estiver ativa. Além de correr o risco de violá-la, é obrigação do fabricante garantir o pleno funcionamento no período em questão. Ou seja, caso seja necessário fazer algo, é importante entrar em contato com o fabricante para que ele tome as devidas precauções.