G-SYNC NVIDIA: O que é e como funciona essa tecnologia?

Gamers de longa data estão acostumados com técnicas que tornem a jogabilidade mais realista, corrigindo erros comuns de renderização de certos frames. É o velho problema da capacidade de renderização variável da placa de vídeo com a taxa fixa de atualização de tela, já que, independentemente de quantos frames a placa de vídeo pode gerar, a tela continua trabalhando com frequências fixas. Grande parte dos monitores atuais trabalha com 60 Hz (60 fps), enquanto alguns modelos voltados para jogos oferecem frequências maiores, como 120 Hz ou 144 Hz.

Isso não altera o fato, porém, que continua sendo uma placa de atualização constante, isso independentemente da resolução. Se por um lado as GPUs mais modernas conseguem alcançar a taxa de atualização máxima de tela sem grandes problemas, por outro isso não garante que acontecerá em todas as cenas dos jogos. Basta chegar uma cena mais movimentada para a taxa de frames por segundo da placa de vídeo cair, e problemas como tearing, stuttering e input lag começarem a aparecer.

O problema mais percebido pelos usuários é o tearing, quando dois frames diferentes aparecem ao mesmo tempo, um problema comum em telas com taxas fixas de atualização.

O problema mais percebido pelos usuários é o tearing, quando dois frames diferentes aparecem ao mesmo tempo, um problema comum em telas com taxas fixas de atualização.

Poucos anos atrás, a solução era habilitar filtros que amenizassem esses e outros problemas, como anti-aliasing (SSAA, MSAA, TXAA), V-SYNC e filtro anisotrópico. Remediavam bastante, mas não curavam. Ou, quem tinha hardware de sobra, travar a quantidade de frames para que ele funcionasse em conjunto com o monitor. Um desperdício e tanto, já que a configuração tinha muito mais a oferecer. Será que não há uma solução definitiva para esse problema?

Com vocês: o G-SYNC da NVIDIA

Como dissemos, o problema em questão é simples de explicar: seu monitor trabalha com taxas fixas de atualização. A GPU, não, já que o trabalho necessário para renderizar as cenas varia bastante enquanto o jogo está rodando. Pegue um jogo como Far Cry 4, por exemplo. Uma coisa é ficar estrategicamente escondido no meio das árvores. Outra é estar em um combate com dezenas de inimigos, carros, helicópteros e explosões, tudo simultaneamente, o que diminui a quantidade de frames que a placa de vídeo pode gerar.

Uma forma simples de entender o tearing, causado pela falta de sincronia entre tela e placa de vídeo.

Uma forma simples de entender o tearing, causado pela falta de sincronia entre tela e placa de vídeo.

Aqui cabe uma curiosidade interessante sobre as placas de vídeo. O cenário 3D, comum na maioria dos jogos, está realmente sendo renderizado de forma 3D dentro da placa de vídeo. Mas o monitor, com raríssimas exceções, são 2D, então acontece o seguinte: a placa de vídeo tira snapshots 2D e manda para o monitor. E é aí que aparecem os erros, como o tearing, que é o “overlap” de duas imagens simultâneas. O resultado final é aquele famoso “corte” nas imagens na tela.

Antes do G-SYNC, o V-SYNC corrigia o tearing, mas causava o stuttering, que é quando o jogo aparenta rodar mais lentamente mesmo em framerates altos.

Antes do G-SYNC, o V-SYNC corrigia o tearing, mas causava o stuttering, que é quando o jogo aparenta rodar mais lentamente mesmo em framerates altos.

Pois bem, como o G-SYNC resolve isso? De uma forma bem simples: basta sincronizar a taxa de atualização das placas de vídeo com as do monitor. Não importa se são 23, 51 ou 60 frames por segundo: a tela trabalhará exatamente com essa quantidade. Em outras palavras, o G-SYNC faz com que a tela passe a trabalhar com uma taxa variável de frames, corrigindo grande parte dos erros inerentes das telas com taxas fixas. Fácil de entender, não é mesmo?

116653-196033-nvidia-g-sync

O G-SYNC corrige tanto o tearing e o stuttering quanto o input lag, já que manda para a tela somente os frames renderizados, já que ambos trabalham com a mesma frequência.

A implementação do G-SYNC, porém, é bastante complicada, exigindo um hardware específico para tornar isso possível. O nome se refere tanto à tecnologia quanto ao módulo dentro da tela. A solução encontrada pela NVIDIA, proprietária do G-SYNC, para diferenciar seu produto. Isso ocorre pois quase todos os monitores produzidos mundialmente trabalham com framerates fixos, então é necessário adaptá-los para que passem a trabalhar com frequências variáveis.

Quais são os requisitos para usar o G-SYNC?

Por ser uma tecnologia proprietária da NVIDIA, é natural esperar que ela funcione somente com as placas de vídeo da empresa. Ou seja, mesmo que você tenha um monitor com essa tecnologia, é necessário ter uma placa de vídeo que converse com o módulo, e somente as GPUs da NVIDIA da série 600 em diante possuem suporte a ela, sejam de desktops ou de notebooks. No caso dos notebooks, não é necessário se preocupar muito, já que os modelos suportados já trazem suporte ao G-SYNC habilitado de fábrica.

116643-196023-nvidia-g-sync

Tanto em desktops quanto em notebooks, é necessário ter tanto o módulo G-SYNC quanto uma GPU compatível.

Ainda que modelos mais simples sejam capazes – em teoria – de suportar o G-SYNC, raramente você encontrará algum que traga essa tecnologia. O seu suporte aumenta o preço do produto final, então é mais interessante para fabricantes e para o usuário reservá-la para configurações mais musculosas. E, mesmo porque, o usuário usufruirá melhor das vantagens quando tiver uma placa de vídeo mais potente (ou mesmo com SLI), como a série 10 de placas de vídeo da NVIDIA.

Então, vale a pena investir em um modelo com G-SYNC? Existe algum problema?

Vale um pequeno comentário sobre dois problemas comuns com essa tecnologia, sendo que o primeiro é bastante raro e o segundo mais ainda. O primeiro deles é que, mesmo resolvendo os principais problemas que descrevemos no começo, o G-SYNC cria outro: o flickering, resultado de um estouro de cor temporário de cor (geralmente para o branco) em pixels individuais.

Ele resulta do ULMB (Ultra Low Motion Blur, que vamos explicar em artigos futuros junto com as diversas tecnologias da NVIDIA), e mal é percebido durante o jogo, em especial em resoluções maiores. O segundo, já bastante raro – em especial em notebooks – é o alto consumo de energia em framerates mais altos, mas que a NVIDIA já corrigiu em diversos casos desde o anúncio oficial da tecnologia.

O TITANIUM G1546 IRON, com a NVIDIA GeForce GTX 1070, vem com o G-SYNC habilitado.

O TITANIUM G1546 IRON, com a NVIDIA GeForce GTX 1070, vem com o G-SYNC habilitado.

Assim como acontece com os modelos com framerates fixos maiores, como 120 Hz, os modelos com G-SYNC são um pouco mais caros do que os modelos “comuns”, como geralmente acontece com qualquer nova tecnologia. Mas, colocando na balança, seus benefícios certamente compensam, e como dissemos nos monitores de 120 Hz, basta experimentar um modelo que suporte essa tecnologia para ver (literalmente) seus benefícios.

Já experimentou uma máquina com suporte ao G-SYNC? O que achou? Conte para nós nos comentários!

  • Henrique Sager

    acho que a avell não vai te responder não 😀

  • Pingback: Tecnologias NVIDIA focadas na experiência dos gamers (Parte 2) - Notebooks Avell()

  • Caio De Souza Moura

    Nos notebooks que avell vendem temos que nos preocupar com o flickering ?
    E esse consumo de energia em framerates mais altos, mas que a NVIDIA já corrigiu em diversos casos desde o anúncio oficial da tecnologia foi uma correção de software para todas as placas ou física só para os novos modelos ?