Entenda como funcionam os benchmarks de armazenamento

Dispositivos de armazenamento evoluíram bastante nos últimos tempos, mas ainda são os componentes mais lentos de qualquer máquina moderna. Não raro, configurações com processadores e placas de vídeo de última geração podem se comportar de forma mais lenta do que deveriam. Não por um problema da configuração em si, ou aquecimentos excessivos, mas exatamente pelo armazenamento primário.

SSDs resolvem esse problema em grande parte, apresentando um desempenho consideravelmente superior aos discos rígidos comuns. Este artigo mostrará essa diferença na prática, e vamos usar o Avell Titanium G1513 Iron como exemplo. Saiba como fazer benchmarks de armazenamento.

armazenamento benchmarks

Interior do Titanium G1513 IRON V4: dois slots de memória RAM DDR4, duas entradas SATA M.2 e uma entrada SATA III.

Configuração de armazenamento utilizada

Como mostramos em nosso artigo SSD: Tire todas suas dúvidas e entenda as vantagens, o Avell Titanium G1513 Iron vem com um SSD Sata M.2 primário de 525 GB da Crucial e um SSHD secundário de 1 TB. Para mostramos a diferença entre um SSD e um HD, substituímos o SSHD padrão da Toshiba por um HD de 1 TB. Ou seja, tiramos o diferencial do cache SSD da equação.

slots SATA M.2

Um dos slots SATA M.2 pode ser aproveitado futuramente.

Ao abrirmos o Titanium G1513 Iron, vemos os slots disponíveis para o usuário: 2 slots Sata M.2 (com um deles não utilizado na configuração que testamos) e 1 slot Sata III padrão. Na prática, isso significa que você pode ter até 3 SSDs neste modelo*.

disco de armazenamento

São 4 parafusos prendendo a gaveta e outros 4 prendendo-a no disco.

*Não recomendamos abrir a máquina sem conhecimento especializado, sob o risco de danificar o equipamento ou componentes individuais.

HD e SSHD

O HD e o SSHD são visualmente idênticos, mas o cache SSD, mesmo que pequeno, faz uma enorme diferença no desempenho geral da máquina.

Vamos aos testes!

ATTO Disk Benchmark

Em geral, quando uma empresa de armazenamento estampa as velocidades de transferência na embalagem, há uma grande chance de eles utilizarem o ATTO Benchmark como base. Por ele ser especializado em transferências contínuas de dados, os números costumam ser maiores. É possível medir o desempenho do disco ao transferir dados entre 512 B (0,5 KB) até 64 MB, já que as velocidades (em geral) pouco variam em arquivos maiores.

HD Samsung

HD Samsung

ATTO HD

SSD Crucial

De qualquer forma, o SSD conseguiu manter velocidades de escrita acima de 500 MB/s em arquivos com 64 KB ou mais, enquanto o HD penou para passar de 90 MB/s. Não chega a ser um valor tão fora da média, já que é uma velocidade comum em discos rígidos de notebook, tipicamente rodando a 5400 RPM.

HD Tune Pro

Grande parte dos acessos de dados durante o uso comum usa quantidades relativamente pequenas de dados. Casos como transferir um filme de um drive para outro, com vários gigabytes, são a exceção. Exatamente por isso o resultado de acesso aleatório é tão elucidativo, medida em IOPS (Input/Output Operations Per Second). Neste caso, os HDs comum apanham. E muito!

Acesso aleatório do HD

Acesso aleatório do HD

Como podemos ver acima, o HD manteve uma média de 50 IOPS, enquanto o SSD SATA M.2 da Crucial alcançou até 16440 IOPS. Sim: até 330 vezes mais rápido. Aqui temos uma espécie de “prova numérica” da sensação que muitos usuários experimentam ao trocar um HD por um SSD, mesmo que as velocidades de escrita e leitura contínua não sejam tão diferentes em ordens de grandeza.

SSD

Acesso aleatório do SSD

Enquanto o ATTO Benchmark foca em escrita contínua, o HD Tune possui uma ferramenta extremamente precisa para mensurar acessos aleatórios. Como uma máquina se comporta tipicamente? Basicamente, com uma combinação tanto de um quanto de outro. E é aqui que entra a ferramenta de análise de disco do PCMark 8, como veremos adiante.

PCMark 8

O PCMark 8 é uma ferramenta de benchmark completa, analisando tanto o armazenamento quanto CPU, GPU e memória RAM. O grande diferencial da análise de armazenamento é que ela foca em cenários reais, com programas conhecidos pelo usuário.

  • Games: World of Warcraft, Battlefield 3;
  • Programas de criação: Adobe (Photoshop, Indesign, After Effects e Illustrator);
  • Produtividade: Word, Excel e PowerPoint

Este teste não foca em desempenho bruto propriamente dito, mas sim no que concerne o armazenamento. Algo interessante, já que programas como o After Effects exigem um bom poder de processamento, mas não raro apanham exatamente por sofrer com gargalos ao lidar com arquivos muito grandes, em especial com HDs comuns.

SSD armazenamento

SSD: teste finalizado em cerca de 1 hora e 10 minutos.

Essa precisão, medindo cenários reais, vem com um custo. O teste completo, que roda 3 vezes por uma questão de consistência, dificilmente terminará em menos de 1 hora. O teste com o HD, por exemplo, demorou 4 horas e 20 minutos.

Usar programas reais é mais importante do que parece. Afinal, o uso comum de qualquer máquina, seja navegando na internet ou rodando um game de última geração, é uma combinação completamente aleatória de dados pequenos e grandes. Ou seja, um armazenamento que se destaque apenas em um dos cenários pouco diz sobre a performance real do dia a dia.

HD benchmarks

HD: teste finalizado em cerca de 4 horas e 20 minutos.

Pense em um jogo. Temos o carregamento inicial, com dados alocados na memória RAM da GPU e na memória RAM do sistema, com outros dados lidos sob demanda. Tanto os pequenos quanto uma parte do cenário em um jogo FPS, os conjuntos de dados pequenos e grandes e a leitura de uma nova fase.

De nada adianta ter uma configuração de ponta, com CPU e GPU de última geração e memória RAM de sobra, se cada elemento demora uma eternidade para carregar, estragando a experiência geral. Inclusive, se tirássemos o SSD padrão do Titanium G1513 Iron e utilizássemos somente o HD que utilizamos nesse teste, acreditem, teríamos uma máquina completamente diferente. Isso com um Core i7-7700HQ, 16 GB e uma placa de vídeo GTX 1050.

Conclusão

Um dos grandes erros cometidos por muitos usuários é focar excessivamente na configuração, deixando o armazenamento em segundo lugar. Vale mais economizar em componentes ligados diretamente ao desempenho, dentro de um orçamento limitado, em favor de um SSD. Ou mesmo um SSHD, com o cache SSD, mesmo que pequeno, favorecendo diretamente o carregamento da máquina e a leitura de programas mais pesados, como um editor profissional de vídeos ou um game de última geração.

Para finalizar, temos abaixo o desempenho de um HD, um SSHD e SSD, respectivamente, para mostramos os níveis de desempenho de cada um.

CrystalDiskMark: HD

CrystalDiskMark: HD

CrystalDiskMark: SSHD

CrystalDiskMark: SSHD

CrystalDiskMark: SSD

CrystalDiskMark: SSD

Para saber mais:

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