Como escolher a memória RAM na hora de comprar um notebook

Escolher memória RAM para notebook é fácil, não? Basta priorizar a maior quantidade possível, já que há uma correlação direta entre a quantidade instalada e o desempenho da máquina. Ou não? Não é bem assim: há outros fatores igualmente importantes os quais o usuário deve considerar. Priorizar apenas a quantidade de memória é o mesmo que priorizar os GHz e núcleos do processador. Nem sempre isso se traduz em mais desempenho, e é isso que vamos entender nesse artigo.

Memória RAM DDR3 vs DDR4

Apesar de ser apenas um número maior, as memórias DDR4 trazem diversos benefícios extras que vale destacar. Naturalmente, por se tratar de um padrão mais novo, vem com velocidades maiores. O modelo DDR3, por exemplo, trabalha com velocidades entre 800 MHz e 2400 MHz, enquanto o DDR4 começa com 2133 MHz, chegando a 4266 MHz. Ou seja, as memórias DDR4 trabalham com um range maior de velocidades, impactando diretamente no desempenho do equipamento.

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Voltagem menor = menos energia

Notebooks comumente trabalham com 1600 MHz com DDR3, enquanto modelos que suportam DDR4 geralmente rodam com 2133 MHz. Isso inicialmente, já que o DDR4 é um padrão relativamente novo, então essas velocidades podem aumentar com o passar do tempo. Os ganhos são observados tanto no processador quanto nos gráficos integrados, já que ambos compartilham a memória RAM do sistema.

Outra diferença igualmente importante, em especial para notebooks, é a mudança nas tensões. Mesmo sendo mais potentes, as memórias DDR4 precisam de menos energia. A tensão diminui dos 1,5 volts do DDR3 para 1,2 volts no DDR4. Pode parece pouca coisa, mas isso representa 40% de economia. Uma excelente notícia para a bateria, não? E para o sistema de refrigeração, já que o nível de calor gerado também diminui.

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Ao mesmo tempo, aumenta o desempenho geral.

Por fim, temos os tamanhos por pente também. As memórias DDR3 traziam, inicialmente, 512 MB por pente, atualmente limitadas em 8 GB. Já os pentes DDR4 começaram com 4 GB, com modelos de 16 GB já sendo bastante comuns. Algo especialmente bem-vindo nos notebooks, aliás, já que estes geralmente trazem menos slots (chegando a 4, em alguns casos), o que aumenta a capacidade máxima destes.

Quantidade de memória RAM importa?

Chegamos à questão inicial. Vamos lá, você tem uma máquina com uma determinada quantidade de slots, seja DDR3 ou DDR4. Como saber qual é quantidade suficiente? Vamos começar dizendo o seguinte: máquinas com apenas 4 GB de memória RAM serão cada vez mais raras. Pode até ser o suficiente para tarefas mais básicas, mas basta abrir diversas abas em um navegador como o Google Chrome para ver a quantidade disponível rapidamente desaparecer. A partir de então, o sistema começa a usar a memória virtual (conhecida como SWAP no Linux), diminuindo drasticamente o desempenho do PC.

Com 8 GB já “começamos a conversar”. É uma quantidade boa o suficiente para a maioria das tarefas sem grandes problemas. Jogos mais básicos também inclusos, ainda que a máquina comece a apanhar com resoluções maiores. Jogos mais recentes com resolução Full HD (1920 x 1080) com diversos filtros e efeitos ativos (high) já criam a necessidade de ter pelo menos 16 GB. Notem que pulamos 12 GB, teoricamente possível (4 GB + 8 GB), algo que vamos explicar o motivo mais adiante.

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O encaixe é diferente na memória RAM DDR3 e DDR4, exatamente para evitar problemas. Ou seja, é possível escolher entre um e outro.

Aliás, 16 GB já cria uma espécie de “garantia contra o futuro”, mesmo que inicialmente não seja estritamente necessário. Quando consideramos comprar uma máquina, esta deve se comportar bem durante alguns anos, tempo o suficiente para que a exigência de especificações aumente. 16 GB seriam o ideal atualmente, por assim dizer, tanto para jogos mais pesados quanto para aplicações profissionais, como editores de vídeo ou programas CAD.

O próximo passo é, naturalmente, os 32 GB. Alguns jogos, especialmente os recentes em resolução 4K, realmente exigem mais memória. Além disso, uma quantidade tão grande aumentaria ainda mais a “garantia contra o futuro”, sobrando memória para a grande maioria das situações. Vale a pena investir mais para ter 32 GB? Depende, já que pode ficar subutilizado com o tempo, não justificando o investimento, inicialmente.

Naturalmente, 32 GB é melhor do que 16 GB, considerando o mesmo tipo de memória. Mas há um custo envolvido nesse upgrade, consideravelmente maior do que aumentar de 8 GB para 16 GB. Nesse caso, vale considerar se vale a pena aumentar a memória RAM ou escolher um outro componente mais poderoso. Trocar um Core i5 por um Core i7, ou NVIDIA GTX 1070 por uma GTX 1080, por exemplo. Ou mesmo ver um modelo com mais recursos, como uma tela de 120 Hz, G-SYNC ou resolução 4K.

Canais de memória RAM

Vale um comentário sobre a quantidade de canais de memória. Acima, pulamos os 12 GB de memória RAM, pulando dos 8 GB para os 16 GB. Recomendamos isso exatamente pelos canais, que podem ser interpretados como um “RAID 0 de memória RAM”. Um notebook com dois canais trabalha com ambos simultaneamente, acessando os dois pentes ao mesmo tempo. Quando há dois pentes sem single-channel, primeiro usa-se um e, quando acabar o espaço, usa-se o outro.

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A grande maioria dos notebooks vem com dois slots de memória RAM, e raros são os modelos que não trabalham com dois canais.

Raros são os notebooks que não trazem dois canais, de forma que aproveitá-los para melhorar o desempenho da máquina. Para que isso aconteça, os pentes devem ser compatíveis um com outro. Não basta apenas usar dois pentes com o mesmo tamanho de marcas diferentes, ou mesmo da mesma marca de linhas diferentes.

O mesmo vale para a distribuição de pentes de memória. Focando em desempenho, vale mais dois pentes de 8 GB em dual-channel, totalizando 16 GB, do que apenas um pente com 16 GB de capacidade, exatamente para aproveitar os canais.

Upgrades

Por fim, vale lembrar que a memória RAM é um dos componentes mais fáceis de atualizar. Por exemplo, você pode comprar um modelo com 16 GB, priorizando outros componentes, e fazer o upgrade para 32 GB apenas quando for necessário. Vale mais a pena do que superdimensionar inicialmente em detrimento a outras peças que possam trazer benefícios diretos. É o caso do processador e da GPU que são muito difíceis (ou mesmo impossíveis) de substituir.